quarta-feira, 14 de março de 2007

Mesmo sem nenhum comentário continuarei...

Mesmo após não ter recebido nenhum comentário continuarei, o conto de hoje é " O Valete" por Gabriel Hickmann, não postarei muitos contos de outras autorias, mas como estou sem tempo e este conto é realemnte bom... Ai vai.

O Valete


"Já se aproximavam das onze horas da noite quando três homens encontravam-se silenciosos, sentados em cadeiras de plástico numa sacada de alguma praia do litoral sul-brasileiro. Jaime enchia mais um copo de cerveja apoiado no vão da sacada enquanto olhava em direção à praia, tendo sua visão interceptada por duas grandes amendoeiras.

- É amanhã que eu corto essas árvores – desabafava ele, mais para cortar o silencio.

Jaime era do tipo nervoso, mas seu toque de humor animou a casa que alugaram durante aquelas duas semanas que passaram ali. Era gordo e os cabelos não mais habitavam sua cabeça. Beirava os 50 anos, e sua aparência não escondia isso. Alemão por definição, Jaime era mulherengo e pai de quatro filhos – mas desses, só dois encontram-se na casa.

...

A mesa de vidro improvisada para a canastra estava armada havia meia hora, com uma toalha de banho ainda úmida cobrindo-a – de modo que as cartas do baralho não deslizassem. Pacientemente, os três esperavam pelo quarto jogador – necessário para uma partida em duplas. Esse viria a ser a esposa de Jaime, Tereza, que cantava para a pequena Júlia dormir, no quarto do casal.

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Toda essa espera pelo quarto jogador seria desnecessária se Gonzalo, outro filho de Jaime, estivesse disposto a participar da partida. Estava desocupado, ouvindo música e cantando-a baixinho na rede da própria sacada.

- Eu não jogo mais com o pai! Se é pra jogar e ser criticado a cada movimento, ganho mais balançando-me aqui na rede. – defendia-se Gonzalo que, queira ou não, estava impedindo a diversão de outros três, ou pelo menos adiando-a.

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Hugo e Gabriel, pai e filho, eram os outros dois que esperavam junto a Jaime por um companheiro para o jogo de cartas. Hugo tinha por volta da mesma idade de Jaime, e Gabriel, a mesma de Gonzalo. Sim, eram famílias parecidas. Hugo lia um livro de contos de Mark Twain, emprestado por seu filho, enquanto esperava. Gabriel analisava calmamente cada carta do baralho.

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“A carta K só pode ser de King!”, pensava Gabriel, sentido-se estúpido por não ter percebido isso antes. Seguindo a mesma linha de raciocínio, concluiu que Q era de Queen. Agora temos um rei e uma rainha... Mas o J, o que será? Seu pai Hugo e Jaime chamavam-a de valete, mas Gabriel queria uma palavra que tivesse J como primeira letra, e em inglês – coincidindo assim com as outras duas já descobertas. Se viu obrigado a perguntar para seus companheiros ao redor.

- Afinal, que significa J? – perguntou.

- É valete. – respondeu Jaime, sem acrescentar nada a Gabriel.

- Mas, quero dizer... É a inicial de que?

- Não seria o Joker, o bôbo da corte? – era Gonzalo, que procurava ser de alguma ajuda.

- Fala baixo aí, seu bostão! – advertiu Jaime a seu filho, que estava a falar muito alto e, consequentemente, impedindo Júlia de dormir.

Gabriel analisou calmamente a carta valete, aproximando-a de seus olhos e concentrando-se em seu desenho.

- Não parece nem um pouco com o bôbo da corte. Está mais para um príncipe, soldado ou algo assim.

- Então essa é mais uma das questões que colocarei na minha lista de perguntas sem respostas – respondeu Gonzalo, com seu senso de humor primário. Gabriel esboçou um sorriso simpático.

Nesse momento, Tereza chegou." Um conto por Gabriel Hicikmann




Amanha se possivel reescreverei o capitulo 1 de "Um dia Após vinte Anos" e colocarei todos no mesmo post para falicitar a leitura.

terça-feira, 13 de março de 2007

ESTREIA "O Aguardo"

irei estreiar o blog com um conto que escrevi durante a aula e a troca de periodos, este conto é um conto sem continuidade o tornando de apenas 1 capitulo, espero que gostem.

O aguardo

Sentado em meu escritório, refletindo sobre a vida, eu aguardava. Para me distrair eu jogava com minha cadeira,o jogo era contra a gravidade , me apoiva sobre apenas duas das quatro pernas que a cadeira possuia, era um jogo o qual sempre vencia, isso me dava a sensação de mais poderoso que a natureza, então a cada rodada, eu torcia para que a cadeira me puxasse ao chão, pois se não o fizesse, haveria um momento que eu pensaria que sou invencível, acharia que posso vencer de qualquer coisa e qualquer um.
Meu desejo é atentido, pelo telefone, que tira meu equilibrio com o seu toque agudo, quase machuca meus ouvidos.A cadeira vai ao chão enquanto temo a dor que posso receber no impacto, uma dor desconhecida e proxima, uma dor leve ou insuportável, uma dor rápida ou devagar, a duvida me corroe por dentro então decido me entregar as gravidade e deixo o destino decidir meu futuro.A cadeira acerta o chão enquanto o impacto passa de minha coluna até a ponta de meus dedos, como se um trem passase por cima de mim sacudindo cada de meus òssos incontrolavelmente. A dor angustiante me faz esquecer o barulho irritante do telefone, por um momento cogito a possibilidade de estar morto, pois tudo está tão silêncioso,silêncio na imensidão, será que estou finalmente sozinho?
O som invadindo minha mente, faz com que eu obtenha uma resposta negativa, logo que me recupero do atropelamento, pego o telefone com o intuito de silencia-lo, e não para atende-lo.
Uma voz busca resposta, não faço nada, ela tenta novamente, decido atender ao chamado pois aquela voz me cativou.Ela estava falando algo sobre um produto inovador ou alguma era algo sobre uma divida antiga com um mafioso?Mas não importava, pois o som de sua voz foi interrompido pelo som de uma rajada de metralhadora em meu telhado, era a chuva, a tentativa da natureza de destruir o reinado dos homen, assim como fizemos com o seu.
Após desligar o telefone volto a aguardar, o sentimento de esperar algo e voce não poder fazer nada para evitar, este sentimento é um dos piores existentes, pois voce fica tão angustiado a ponto de pegar a arma que voce guarda na gaveta superior direta e acabar com este sofrimento. Minha mão toca a gaveta já sabendo que nos proximos segundos eu já estarei no chão, abro a gaveta lentamente tentando ganhar tempo, mas quando reparo já estou com o metal gelado da arma tocando a lateral de minha cabeça. Quando estou pronto para puxar o gatilho algo intervêem, a canpainha, fico aliviado. Me levanto indo em direção a porta enquanto penso que teria sido melhor se eu tivesse puxado o gatilho naquele momento, quanto alcanço a maçaneta o barulho irritante volta, o telefone novamente, decido atende-lo após ver quem erá, por nenhum momento cogitei a possibilidade de que não teria está oportunidade, isto foi um erro.
Abro a porta olhando para o telefone tentando fazer parar o barulho ensurdecedor, quando decido olhar para frente percebo uma pessoa em minha frente. Isso foi tudo que pude notar antes que o barulho do telefone fosse abafado e eu sentisse dois coices em meu peito forte o suficiente para me derrubar. Por um momento cogito a possibilidade de estar morto, pois tudo está tão silencioso, silencio na imensidão, será que estou realmente sozinho? Será que estou? Será...